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Inicialização do Slackware

Piter Punk

Existe muita documentação a respeito do método de inicialização System V, utilizada por vários *nix comerciais e pelos RedHat-like (Mandrake, Conectiva, etc...). Já o Slackware, utiliza como método de inicialização o estilo BSD, muito mais compatível com a filosofia de manter tudo simples dominante no Slack...

1. Introdução

Quem já utilizou vários Linux já percebeu, o boot do Slackware é mais rápido. E o grande responsável por isto é o método de inicialização dele. Ao contrário dos sistemas baseados em SystemV, que carregam dezenas de scripts para cada serviço a ser utilizado, o Slackware carrega apenas uns poucos scripts, mais rápidos e eficientes...

Todos estes scripts estão hospedados sob o /etc/rc.d, cada um deles responsável por uma das etapas da inicialização:

  • rc.S - Este é o script de Start do Slackware;
  • rc.K - Carregado quando entramos no runlevel 1, para manutenção do sistema;
  • rc.M - Modo multiusuário, utilizado nos demais runlevels;
  • rc.4 - Aciona o login gráfico (runlevel 4);
  • rc.0 e rc.6 - Respectivamente desliga e reboota o computador.
  • rc.sysvinit - Utilizado quando existem scripts no padrão SystemV para serem iniciados.

Outros scripts configuram a própria máquina para que tudo possa funcionar bem, graças a eles são configurados módulos e iniciados alguns daemons essenciais:

  • rc.udev - Carrega o daemon udevd, responsável pela criação dinâmica de dispositivos no kernel 2.6.
  • rc.modules - Carrega os módulos do kernel;
  • rc.pcmcia - Suporte a dispositivos pcmcia (muito utilizados em notebooks);
  • rc.serial - Configura as portas seriais da máquina;
  • rc.hotplug - Carrega módulos do kernel dinamicamente, a medida que são necessários.
  • rc.alsa - Configura o volume do som e carrega alguns módulos
  • rc.acpid - Sistema de gerenciamento de energia.
  • rc.font - Carrega a fonte de console a ser utilizada;
  • rc.gpm - Carrega o gpm, daemon que controla o mouse no modo texto e;
  • rc.keymap - Ativa o mapa de teclado apropriado

Em uma categoria intermediária estão os scripts que carregam as configurações de rede e roteamento, não chegam a ser scripts de serviços, mas também não se pode chamar de configuração de hardware (principalmente porque são vários e vários deles para difentes partes da configuração de rede).

  • rc.netdevice - Carrega o módulo para a placa de rede correta.
  • rc.inet1 - Configura IP, Gateway, etc...
  • rc.inet1.conf - Armazena as configurações de até quatro placas de rede como IP, Gateway, etc. Utilizado pelo rc.inet1
  • rc.wireless - Configura uma placa de rede wireless, é chamado pelo rc.inet1.
  • rc.wireless.conf - Armazena as configurações utilizadas pelo rc.wireless
  • rc.ip_forward - Habilita ou desabilita o IP Forwarding
  • rc.firewall - Regras de Firewall. Não existe por default, apesar de haver uma chamada para ele.
  • rc.inet2 - Carrega os diversos serviços de rede.

Por fim, os scripts de serviço. Os nomes destes scripts normalmente são relativos aos serviços iniciados, por exemplo rc.lala seria o responsável pela inicializacao do lala.

  • rc.atalk - Adiciona suporte a redes AppleTalk (da Apple, dã...)
  • rc.bind - Carrega o named, um dos servidores de DNS mais conhecidos
  • rc.cups - Sistema de impressão no mínimo exótico com configuração pela web.
  • rc.dnsmasq - Servidor de DNS para redes "mascaradas".
  • rc.httpd - Inicia o apache, servidor HTTP (para quem não sabe, HTTP = web).
  • rc.lprng - Outro sistema de impressão. É o default do slackware.
  • rc.mysqld - Executa o MySQL, banco de dados muito popular.
  • rc.nfsd - Aciona o servidor de NFS, o sistema de arquivos de rede "padrão" do mundo UNIX.
  • rc.portmap - Necessário para o NFS, tanto para utilizar como para atuar como servidor
  • rc.samba - Adiciona o suporte a redes CIFS (vulgo SMB, também conhecidas como SAMBA).
  • rc.sendmail - Carrega o sendmail, apenas necessário se você pretende montar um servidor de e-mails.
  • rc.sshd - Servidor SSH, acesso a uma shell remota de maneira segura.
  • rc.syslog - Logs do sistema, carrega o klogd e o syslogd
  • rc.yp - Inicia o NIS, uma maneira simples de compartilhar senhas e configurações pela rede.

Estes scripts de serviço costumam aceitar a sintaxe "start|stop|restart" para, respectivamente, iniciar|parar|reiniciar o serviço em questão. Para isso, digite, por exemplo:

	# /etc/rc.d/rc.sendmail start

E isso irá ativar o sendmail. O stop iria pará-lo e o restart reiniciar.

Por último, carregamos o rc.local, que contém as configurações próprias da máquina local. Algumas pessoas colocam aqui suas regras de firewall (outras preferem colocar em um rc.firewall), outras usam o rc.local para carregar programas como monitores de rede, etc...

Nas próximas seções, iremos descrever em detalhes o que fazem cada um destes scripts. Nos acompanhe -;)

2. Os básicos...

Bom, considerei como básicos os scripts responsáveis por cada runlevel (0,1,2,3,4,5,6), lembrando que os níveis 2 e 5 na realidade carregam o runlevel 3.

2.1. rc.S

O rc.S faz as primeiras configurações da máquina, como ativar a swap e checar os sistemas de arquivos. É um arquivo cheio de comentários, sendo facilmente modificável (embora não seja tão aconselhável fazer estas modificações). Para deixar sua box rápida desde o boot, esse é o melhor lugar para colocar as suas configurações do hdparm, mas antes garanta que o seu /usr/sbin esteja disponível, já que ele teoricamente pode estar em uma partição NFS e montada via rede.

A primeira coisa que o rc.S faz é setar o PATH e montar alguns sistemas de arquivos essenciais: o /proc e, no caso do kernel 2.6 o /sys e o /udev. Para que estes dois últimos sistemas sejam iniciados, é necessário que o hotplug esteja ativado e, no caso do udev, que o rc.udev esteja com permissão de execução.

Logo após, é ativado as partições de swap, e a partição com a raiz do sistema é checada. Você pode desabilitar essa checagem (e a de outras partições) utilizando o -f quando o comando shutdown for executado (exemplo: ao invés de "shutdown -h now", use "shutdown -hf now"). Se a checagem fracassar, será solicitada a senha de root para que seja feita a checagem e correção manual.

O próximo passo é remontar a partição raiz para leitura e escrita e remontar o /proc e /sys. Em seguida, é atualizado o relógio do sistema (copiando o valor que está na CMOS para o sistema).

Se existir um /etc/isapnp.conf, os dispositivos ISA PnP que estiverem no sistema serão configurados e preparados para que seus módulos sejam carregados pelo rc.modules (que é o próximo script a ser executado, carregando vários módulos).

As configurações do sistema que estiverem no /etc/sysctl.conf serão carregadas e executadas. Todas as partições que estiverem em LVM são iniciadas agora e, logo depois, todas as partições do sistema (com excessão da partição raiz) são verificadas. Após a checagem, são montadas todas as partições, com excessão das partições de rede, já que ainda não foram carregados os módulos de apropriados.

Na seqüência, são apagados alguns arquivos temporários e eliminados vestígios que tenham restado de um initrd em memória. Aproveitando a limpeza de arquivos temporários, são recriados os arquivos responsáveis pelo utmp. Caso sua partição raiz seja do tipo UMSDOS (como no ZipSlack), é neste momento que ela será sincronizada e organizada para ser utilizada corretamente.

Algo que deixa muitos usuários desesperados é perceber que depois de um reboot a mensagem do dia (/etc/motd) retorna ao estado original. Isso acontece porque neste momento, o rc.S restaura a motd. Se você não quiser que isso aconteça, comente a linha responsável por isso.

As últimos comandos executados pelo rc.S, chamam o rc.serial e carregam a semente randômica do sistema. A partir daqui o sistema irá carregar o rc.K, no caso de estar sendo iniciado o runlevel 1 ou o rc.M no caso de ser 2, 3, 4 ou 5. Se algum louco colocou o runlevel 0 ou 6 como default, a máquina irá se desligar ou rebootar (após ler o script apropriado).

2.2. rc.K

O rc.K é utilizado quando o sistema entra no modo monousuário. Ele desativa todos os daemons, mata todos os processos e mantém os sistemas de arquivos montados (para que seja possível efetuar a manutenção neles)

A primeira providência tomada pelo sistema é executar os scripts SystemV que por um acaso existam para o runlevel 1. Após isso começa uma longa seqüência em que diversos subsistemas são desativados:

  • quotas;
  • registro de processos;
  • http;
  • samba;
  • nfs e
  • pcmcia

Em intervalos de cinco segundos, são enviados aos processos do sistema os sinais para se desligarem (SIGHUP), para terminarem (SIGTERM) e, por fim o de "morte" (SIGKILL). Com isso é garantido que todos os processos são finalizados (afinal, depois do kill -9 não sobre mais nada sobre a terra).

Em seguida o sistema entra no modo monousuário Apesar de extremamente útil, este script também é extremamente curto -;).

2.3. rc.M

Responsável pelo modo Multiusuário (daí vem o M), o rc.M configura o sistema e carrega o necessário para que possamos usufruir do Linux em todas as suas capacidades...

A primeira providência tomada pelo rc.M é configurar o tempo de inatividade para que o monitor seja "desligado". Se isto te incomoda, ou se é preferível um tempo menor, basta comentar ou alterar este trecho...

O próximo passo é setar o nome da máquina, se não houver nenhum nome configurado (/etc/HOSTNAME) será colocado o nome default, darkstar.example.net. Nas próximas linhas ele separa apenas a primeira parte para ser o nome da máquina (darkstar) o restante fica como nome do domínio.

O conteúdo do dmesg é salvo em /var/log/dmesg (o que é uma boa, porque se a máquina ficar ligada muito tempo, não é possível ver mais as mensagens do boot). E é ativado o syslogd se ele estiver disponível (rc.syslog como executável e o /usr/sbin/syslogd).

Neste momento são iniciados os dispositivos pcmcia, se o rc.pcmcia tiver permissão de execução. Os cartões pcmcia demoram um pouco para inicializar, portanto é uma boa aguardar.

Depois são iniciados os sistemas de rede e o hotplug. Os primeiros irão carregar as configurações de rede e diversos daemons, além de montar os sistemas de arquivo de rede (NFS e samba). O hotplug é um mecanismo para detecção de hardware, muito interessante e essencial para quem pretende utilizar o udev.

Antes de começar a carregar os outros serviços, são realizadas algumas tarefas de manutenção, como apagar os arquivo de lock que estejam perdidos, corrigir as permissões do /dev/null e /tmp e atualizar as bibliotecas do sistema e fontes instaladas.

Com tudo já preparado, é carregado o sistema de impressão (cups ou lprng, depende de qual você escolheu), e o suporte a redes Apple (alguém realmente usa isso?).

Se estiver habilitado, é iniciado o sistema de log de processos, cuidado ao habilitar isso, o /var/log/pacct pode ficar com um tamanho monstruoso. Este serviço está desabilitado por default, nada pior que um arquivo enorme acabar com o espaço da tua máquina e você nem saber de onde ele veio. É um serviço interessante se você for paranóico e quiser saber tudo o que seus usuários fizeram...

Os dois agendadores de tarefas, crond e atd, são inicados na seqüência. O primeiro cuida da execução de tarefas periódicas, como a reconstrução da base de dados do locate, ou a remoção de módulos não utilizados há "x" tempo. O segundo agenda tarefas para serem executadas em um tempo determinado (por exemplo, daqui a 10 minutos, daqui a 20 horas, etc...)

Aproveitando que os serviços de rede já estão on-line, o rc.M carrega o módulo rc.atalk, para comunicação com redes Appletalk. Depois inicializa o crond e o atd (ambos executam tarefas agendadas).

Agora vêm um grande trecho comentado. Nele há uma pequena explicação de como configurar quotas em um sistema Slackware, abaixo desta explicação estão os comandos para verificar se existem quotas, checá-las e ativá-las.

A partir daí, são iniciados uma série de daemons e serviços. Na ordem: rc.acpid ou apm (sistemas para gerenciamento de energia, desligar o computador, colocar em standby, etc...), rc.alsa (som), rc.font e rc.keymap (fonte e mapa de teclado do console), rc.hpoj (utilizado pelas impressoras HP OfficeJet), rc.mysql (base de dados), rc.httpd (servidor web), rc.samba (servidor de arquivos em redes SMB/CIFS) e rc.gpm (mouse no console).

Por fim, são iniciados os serviços que estiverem no padrão SystemV, e o rc.local, um script onde se deve colocar as personalizações que você pretende fazer na máquina.

Caso você não queira que algum destes serviços sejam carregados, basta fazer:

	# chmod -x rc.nonono

Assim, o script em questão não estará mais como executável. Como o rc.M sempre verifica primeiro se o script é executável antes de tentar chamá-lo, transformando o script em arquivo comum você impede que ele seja carregado. No meu caso o rc.samba, rc.atalk, rc.httpd estão todos como não-executáveis.

Quando você entra nos níveis de execução 2, 3 ou 5, a inicialização pára por aqui e carrega o programa de login, geralmente o agetty. Se você entrou no nível 4, ao invés do agetty será lido o rc.4...

2.4. rc.4

Script muito simples. Ele verifica se existe o gdm instalado, se houver executa. Se não houver gdm, ele procura o kdm e executa. Se não houver kdm ele executa o xdm e se não houver xdm ele imprime na tela uma mensagem de erro!

Editando este arquivo você pode fazer que ele apresente o seu login gráfico preferido, o meu é o xdm (então eu comentei todas as linhas e deixei só a que executa o xdm). Se você gosta do wdm, basta incluí-lo nesta lista (e instalar o wdm na tua máquina).

2.5. rc.0 e rc.6

Um deles é um link para o outro. Este script quando chamado como rc.0 desliga o computador e quando chamado como rc.6 reinicia a máquina. Uma série de atividades deve ser executada antes da máquina ser desligada.

A primeira delas é salvar o horário atual do sistema na CMOS. Depois, uma série de scripts de serviços é iniciada, passando a todos eles a ordem de parar as suas atividades.

Os sistemas de arquivos remotos são desmontados, o dhcpcd e o pppd são mortos (se estiverem sendo executados) e os outros processos em execução recebem o sinal para terminar (SIGTERM), após 5 segundos é enviado o da morte (SIGKILL).

As quotas são desabilitadas, a semente randômica armazenada e, por fim, desmontados os outros sistemas de arquivos e desativada a swap. A última atividade do script é rebootar ou desligar a máquina. No caso de estar rodando o apmd ou o acpid e da fonte ser ATX, a máquina realmente se desliga, caso contrário ela fica apenas pedindo para ser desligada.

3. Configuração da máquina...

Estes scripts são responsáveis por carregar o suporte ao hardware (rc.modules, rc.hotplug e rc.pcmcia), configurá-lo (rc.serial, rc.alsa e rc.gpm) ou simplesmente tornar o sistema mais confortável (rc.font e rc.keymap).

3.1. rc.udev

Esse script, em conjunto com o hotplug é responsável por manter o /udev, onde os devices são criados a medida que vão sendo necessários. Desta maneira, não é preciso ter um /dev com todos os dispositivos possíveis e imaginários lá, o udevd vai criando-os conforme necessário.

3.2. rc.modules

Este arquivo é responsável pelo carregamento dos módulos para o kernel. No geral, é uma extensa lista com todos os módulos possíveis e imagináveis, sendo que você precisa apenas descomentar a linha apropriada (removendo o # da frente) para que o módulo seja carregado durante o boot.

Primeiramente ele verifica a existência de novos módulos e realiza o update das dependências. Ou seja, monta uma tabela com o que cada módulo precisa para funcionar (por exemplo, o módulo para SoundBlaster necessita do SoundCore para funcionar...)

A próxima coisa visível, são vários trechos de código comentado. Alguns deles são bem comuns de serem descomentados, como o suporte a APM. O suporte a porta paralela e a impressora não precisam ser descomentados se você for um usuário do hotplug, caso contrário, deve descomentar esses dois trechos (isso se você estiver a fim de usar uma impressora conectada na porta paralela do seu computador).

Se houver algum sistema de arquivos que use quota, o módulo para quota é carregado. Independente de houver uma porta AGP no seu micro, é carregado o módulo agpgart. Em máquinas sem AGP isso devolve uma mensagem de erro. Tirando isso não há problema nenhum e, se você não gosta da mensagem, é só comentar a linha que carrega o módulo.

Em seguida, vem uma extensa lista com nomes de módulos (e alguns parâmetros) comentados. Se você quiser carregar algum deles, é só retirar o # da frente da linha. Apesar de haverem dúzias de módulos com placas de rede, a configuração destas é preferívelmente feita através do rc.netdevice, que é editado pelo script netconfig (e nada impede que seja feito na mão).

Este é um arquivo que merece uma boa olhada, módulos para mouses, placas de som, placas de rede, placas SCSI, sistemas de arquivos, etc...

3.3. rc.hotplug

É um sistema mágico. O rc.hotplug detecta o seu hardware e carrega os módulos necessários. Apesar de ser um processo demorado, raras são as placas PCI que ele não detecta. O suporte a USB ainda não está tão bom quanto, mas está ótimo.

Além disso, ele prepara o kernel para, depois de iniciado, carregar automaticamente módulos quando você conectar um novo hardware, como uma impressora ou um chaveiro USB. E, como se isso não fosse suficiente, ainda é utilizado pelo udev para criar os devices do /udev automaticamente.

3.4. rc.pcmcia

Como não tenho experiência com dispositivos pcmcia, não posso dar muitas indicações de como este arquivo funciona. Observando a sintaxe do script, podemos constatar que ele verifica a existência de um barramento PCIC, existindo este barramento, ele carrega uma série de módulos e o cardmgr, um programa para gerenciar os cartões.

3.5. rc.serial

Este arquivo é o responsável pelo carregamento de drivers e inicialização dos dispositivos seriais de seu computador. É uma ótima idéia mantê-lo exatamente do jeito que está, e se necessitar de alguma alteração, mexer preferencialmente no /etc/serial.conf (pode parecer meio covarde, mas em time que está ganhando não se mexe!)

3.6. rc.alsa

Quando chamado, esse script verifica se algum módulo de som ALSA está carregado, caso isso seja verdade, ele restaura as configurações de volume e carrega os módulos de compatibilidade com o OSS.

Fato interessante, se não houver volume configurado, é impresso na tela um aviso, comunicando que deve ser utilizado o programa alsamixer para configurar os volumes de som (e quais canais estarão mudos) e que os ajustes podem ser salvos com o alsactl store. Pena que pouca gente lê este aviso, ou se lê prefere perguntar nas listas de discussão para confirmar o que leu.

3.7. rc.acpid

O acpid é um sistema de gerenciamento de energia, como o apm, mas é muito melhor e mais novo. Infelizmente, não são todas as placas que oferecem suporte ao ACPI, sendo mais "garantido" carregar o módulo APM e o apmd. Antes que eu me esqueça, os dois sistemas são totalmente incompatíveis e habilitá-los simultaneamente não costuma dar boa coisa.

3.8. rc.gpm

Aqui é configurado o mouse para o console. Lendo o script ele explica como utilizar a mesma configuração no X também. Ótima pedida -:) Se você não sacar direito como fazer essa "repetição" do mouse, leia o meu artigo a respeito do GPM -;)

3.9. rc.font e rc.keymap

Estes dois servem para deixar as coisas mais agradáveis no console. Por exemplo, colocar uma fonte com acentos e um mapa de teclado que aceite esses acentos -;). Se você colocar o mapa com acentos e uma fonte sem acentos, vai ter na sua tela sinais de interrogação de cabeça para baixo, carinhas sorridentes e outros símbolos estranhos. Se você colocar uma fonte com acentos e não utilizar o mapa apropriado, você terá vários acentos mas nunca irá conseguir digitá-los... por isso é importante deixar as coisas bem integradas. Divirta-se!

4. Configurações de rede

Estes scripts carregam o módulos das placas de rede, as configurações delas e alguns serviços essenciais, além de montar as partições remotas, tanto NFS quanto partições SMB.

4.1. rc.netdevice

Este script serve unicamente para carregar o módulo da placa de rede... ele é gerado pelo netconfig. Facilita um pouco o trabalho de trocar o módulo quando se troca de placa de rede, mas não muito... principalmente agora nesses tempos de hotplug.

4.2. rc.wireless.conf

Arquivo com configurações para rede wireless. Como a chave criptográfica é armazenada neste arquivo, apenas o root pode lê-lo. As configurações são feitas baseados no MAC Address da placa.

Algumas configurações genéricas estão disponíveis no próprio arquivo, com os modelos mais comuns de placas. Essas configurações estão baseadas nos três primeiros campos do MAC Adress que, normalmente, tornam possível identificar qual o fabricante da placa utilizada.

4.3. rc.wireless

O rc.wireless lê as configurações disponíveis no rc.wireless.conf e, através do iwconfig configura a placa de rede com informações como o nome da rede, canal utilizado, freqüência, etc...

Uma das primeiras atitudes do script é verificar se a placa de rede que ele está configurando é wireless, caso não seja, ele simplesmente sai do script sem executar nada.

4.4. rc.inet1.conf

Aqui ficam as configurações para até quatro placas de rede. A primeira placa de rede é configurada normalmente pelo netconfig, enquanto as outras devem ser configuradas "na mão".

É uma configuração bem simples, em que se coloca o IP da placa, a máscara de rede, se ela usa DHCP e o nome da sua máquina no DHCP. Essas configurações ficam armazenadas nas variáveis: IPPADDR[n], NETMASK[n], USE_DHCP[n] e DHCP_HOSTNAME[n]; lembrando que "n" se refere ao número da placa de rede, 0 para a eth0, 1 para a eth1 e assim por diante...

Se você tiver mais de uma placa de rede, lembre de NÃO executar novamente o netconfig, pois ele apaga as configurações deste arquivo e você fica na roça.

4.5. rc.inet1

Reponsável por carregar as configurações de cada placa, setar as rotas e até mesmo carregar os módulos necessários. É possível iniciar todas as placas de rede ao mesmo tempo, ou apenas uma delas, dependendo de como se passa a linha de comando. Assim como os scripts de serviço, o rc.inet1 aceita as opções start|stop|restart e, adiciona outras. Se você quiser (por exemplo) iniciar apenas a eth2, deve fazer:

	# /etc/rc.d/rc.inet1 eth2_start

Ficando óbvio o que fazer para parar e reiniciar e, até mesmo para utilizar as outras interfaces. Apenas o start|stop|restart, sem o ethN_ na frente, faz com que o comandos seja aplicado a todas as interfaces.

O rc.inet1 é um script complexo, possuindo diversas funções internas que são chamadas conforme a linha de comando passada ao script. A função eth_up é responsável por carregar as configurações da interface.

Se houver um alias para a interface no modules.conf, será carregado o módulo da placa que estiver lá listado. Esses aliases são utilizados principalmente quando se tem mais de uma placa de rede, para indicar qual módulo vai ser utilizado por cada eth0.

Depois de carregados os módulos, é configurada a rede propriamente dita. Caso exista um rc.wireless e ele esteja como executável, ele será lido para carregar qualquer configuração wireless que possa existir para esta placa de rede.

Na seqüência, é chamado o dhcpcd, se a placa estiver configurada para pegar o IP via DHCP (muito comum em empresas). Por último são carregadas diretamente as configurações como IP e máscara de rede, caso a placa não esteja configurada como DHCP. Apesar de complicado para descrever, o processo não dura mais que alguns segundos (se é que chega a isso).

A função eth_down, derruba a placa de rede selecionada. Caso ela utilize DHCP, o processo dhcpcd referente a esta placa é morto, caso contrário ela é apenas desativada.

gateway_up e gateway_down respectivamente configuram a rota padrão ou a apagam. São funções bem simples e as configurações para o GATEWAY estão no /etc/rc.d/rc.inet1.conf. Com as placas de rede corretamente configuradas e com a rota padrão selecionada, é possível executar os outros serviços de rede.

4.6. rc.ip_forward

Este script é utilizado para iniciar ou parar a transmissão de pacotes entre diferentes dispositivos de rede. Por exemplo, para poder compartilhar a sua conexão discada com outras máquinas, será necessário repassar os pacotes que entram pela ppp0 (modem) para a eth0 (rede). Neste caso, você deve habilitar esse script e autorizar o repasse de pacotes.

Sempre que você quiser montar um gateway ou um roteador este script deve estar com a permissão de execução. Apesar de não ser um serviço, ele permite o uso do start|stop|restart para iniciar, parar e reiniciar a retransmissão de pacotes.

4.7. rc.firewall

Este script não existe na instalação padrão do Slackware, portanto não posso dizer exatamente o que ele faz. Nele devem ficar as configurações do iptables para o seu firewall. Depois de criado o script, ele deve ser colocado como executável. A partir daí, será carregado durante todos os boots.

4.8. rc.inet2

Depois de configuradas as placas de rede, costuma ser necessário carregar uma série de serviços especiais, como a montagem de sistemas de arquivo em rede (NFS e SAMBA). Carregar o DNS e iniciar os serviços do NIS, tanto o client como o server.

A primeira coisa que o script faz é verificar se existe no /etc/fstab alguma sistemas de arquivo NFS para montar. Se houver, é carregado o rc.portmap (ou seja, lembre-se de deixar o rc.portmap como executável) e, em seguida são montados os sistemas de arquivos.

Se o rc.portmap não estiver como executável e houverem partições NFS, a inicialização irá travar (mesmo, de verdade) e será apresentada na tela a solução (tornar o rc.portmap executável). Será necessário reiniciar a máquina e entrar no modo single user para resolver isso.

Caso o syslog não esteja sendo executado (pode ser que o syslogd esteja em uma partição NFS e só agora esteja disponível), ele agora será iniciado.

Os próximos serviços iniciados é o rc.ip_forward e o rc.firewall, o primeiro deles habilita a transferência de pacotes entre as placas de rede e deve estar como executável se você quiser usar o seu computador como um roteador. O segundo carrega as configurações de firewall. O funcionamento de ambos já foi explicado logo acima.

Depois é ativado o inetd, um servidor encarregado de acionar e chamar outros daemons de internet por demanda. Ou seja, você não precisa manter um servidor de telnet, um de ftp, um de rlogin e outros funcionando ao mesmo tempo, você mantém o inetd e quando chegar uma requisição de ftp ele carrega o servidor de ftp, quando chega a de telnet ele aciona o servidor de telnet... a configuração deste superservidor está em /etc/inetd.conf.

Uma série de serviços é iniciada na seqüência, como o rc.sshd, o rc.bind, rc.yp e rc.nfsd. O rc.sshd carrega o SSH, que torna possível a conexão à sua máquina de forma segura; o rc.bind carrega o servidor de nomes (DNS) o rc.yp os serviços NIS e o rc.nfsd o daemon do NFS, necessário se você quiser exportar diretórios pela rede.

Pronto! Acabou o rc.inet2...

5. Os vários serviços

Agora serão iniciados os diversos serviços e daemons, alguns deles são chamados pelo rc.M e outros pelo rc.inet2. Estes scripts são chamados depois que todos os sistemas de rede estão carregados (o único que foge desta regra é o rc.portmap) e, como já foi dito, obedecem a sintaxe de:

	rc.nome_do_serviço start|stop|restart

para serem iniciados, parados ou reiniciados. Também não foi dito, mas não custa nada lembrar que para retirar ou colocar um destes serviços para serem iniciados no boot basta utilizar

  • chmod +x rc.nome_do_serviço (para colocar no boot) e
  • chmod -x rc.nome_do_serviço (para retirar do boot).

Agora, depois dos lembretes, vamos à descrição de cada um desses scripts.

5.1. rc.atalk

Alguém, REALMENTE usa isso? Este script carrega uma série de servidores para prover o Linux com o protocolo AppleTalk. É uma espécie de samba para redes AppleTalk. Autenticação de nomes, zonas, etc...

5.2. rc.bind

Inicia o servidor de nomes. O nome do daemon iniciado é o named, e as configurações para ele ficam no /etc/named.conf. É possível iniciar o named em um chroot, e existe documentação a respeito disso em /usr/doc/Linux-HOWTOs/Chroot-BIND-HOWTO, como mencionado nos comentários do prório rc.bind.

5.3. rc.cups

Um sistema de impressão que funciona de maneira totalmente diferente do LPD (sistema "padrão" do UNIX por alguns 20 anos). É configurado por alguns arquivos de configuração no /etc/cups e por uma interface web, acessível na URL http://localhost:631.

5.4. rc.dnsmasq

Inicia o dnsmasq, um serviço especial direcionado para redes mascaradas, ele atua como servidor DHCP e DNS simultaneamente, pode prover nomes para a sua rede interna e também "retransmitir" os nomes encontrados na rede externa. Muito interessante e vale a pena colocar para funcionar. -:)

5.5. rc.httpd

Script que inicia o Apache. Na realidade ele acaba chamando outro script, o apachectl. Que é um link ou para o apachectl-standard ou para o apachectl-mod_ssl, sendo que o segundo possibilita o uso do apache com suporte a SSL.

5.6. rc.lprng

Carrega o LPRng, o sistema de impressão herdeiro do LPD. Totalmente compatível com a sintaxe do LPD, adiciona diversas novas features e simplifica bastante a vida. É o servidor de impressão padrão do slackware, e a melhor forma de configurar uma impressora nele é utilizando o apsfilter (/usr/share/apsfilter/SETUP).

5.7. rc.mysqld

O mysql é um dos mais populares bancos de dados do mundo linux. O rc.mysqld serve para controlá-lo, iniciando, parando ou reiniciando os seus serviços. Muita atenção, o mysqld não funciona simplesmente tornando este script executável, você antes deve instalar as bases de dados. Para fazer isso basta seguir os comentários dentro do próprio script (para os preguiçosos, é só fazer: su - mysql e, logo depois mysql_install_db).

5.8. rc.nfsd

Este é o servidor de NFS, você não precisa dele se pretende apenas montar compartilhamentos NFS exportados de outras máquinas. Mas, ele é totalmente necessário se você pretende exportar alguns diretórios para outras máquinas da rede.

Ele só é iniciado se existir algo para ser exportado no /etc/exportfs, portanto, enquanto você não colocar nada para ser exportado, não adianta nada deixá-lo como executável. Se o rpc.portmap não estiver sendo executado, o próprio rc.nfsd carrega-o, já que é necessário um para o outro estar "no ar".

5.9. rc.portmap

O rc.portmap é necessário para o NFS funcionar corretamente, tanto para montar compartilhamentos de outras máquinas como para exportar os da sua máquina para a rede, além de ser utilizado pelo NIS. É uma boa idéia sempre deixá-lo habilitado.

5.10. rc.samba

Servidor para redes SMB (CIFS), também conhecidas como redes "Windows". Ë necessário ser você quiser compartilhar arquivos e impressoras em uma rede mista com Windows e Linux. Graças ao suporte nativo que a Apple dá ao samba no Mac OS X, você também pode misturar MacIntoshs nessa rede -:).

5.11. rc.sendmail

O sendmail é o servidor de e-mails mais conhecido e, normalmente, outros servidores possuem pelo menos um modo de compatibilidade com ele. Este script é utilizado para iniciar o sendmail no boot. Se você não pretende montar um servidor de e-mail ou pretende utilizar o SMTP do seu provedor, não é necessário deixá-lo ativado.

5.12. rc.sshd

Para conectar em outra máquina e conseguir uma shell nela, nada melhor que o SSH, que envia os dados de maneira segura entre as duas máquinas. É um bom daemon para se deixar sempre em execução, para qualquer emergência.

Na primeira vez que é executado, o daemon cria as chaves para o ssh. Em máquinas mais antigas isso pode demorar alguns bons minutos.

5.13. rc.syslog

Totalmente necessário, inicia o syslogd e o klogd, responsáveis por registrar os logs do sistemas e do próprio kernel. Sempre deixe-os habilitados, lembrando que os logs são o melhor lugar para procurar de onde veio um problema e como solucioná-lo.

5.14. rc.yp

Este arquivo está todo comentado. Para ativá-lo, é necessário descomentar a parte que achar conveniente. Tanto a configuração para servidor como a configuração para o cliente estão neste arquivo.

Independente de qual das duas configurações, a parte que seta o domínio NIS deve ser descomentada. Depois vem a parte relativa ao servidor e ao daemon responsávle pela alteração de senhas. Ë possível utilizar um servidor NIS sem possuir o yppasswdd rodando, seus clientes apenas não poderão alterar suas senhas.

No final vem a parte relativa ao cliente. Bem simples e rápida, carregando o ypbind e imprimindo uma mensagem na tela. Para quem não sabe, o NIS é utilizado para compartilhar senhas, grupos, configurações de impressora, entre outros...

6. The End...

O último script carregado é o rc.local. Este é o lugar onde colocamos as nossas personalizações. Por exemplo, podemos colocar aqui alguns comandos para recriar o issue, assim nós sobrescrevemos o criado pelo rc.S.

Podemos colocar no rc.local chamadas para outros scripts, como o rc.dnsmasq. No caso do meu roteador, que é uma máquina "dedicada", está no rc.local o comando para discar para o provedor...

Depois de lidos todos estes scripts, o sistema carrega os programas de login: agetty no caso dos terminais texto e o rc.4 (que carrega o xdm) no modo gráfico. É possível disponibilizar o login em um terminal serial, mas isso foge do escopo deste artigo.

Quaisquer sugestões, dúvidas ou críticas mande um e-mail para: [email protected]


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